POEMA EM HOMENAGEM À CIDADE, PELOS SEUS 470 ANOS

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São Paulo é como uma cena de cinema fascinando o público em
cada plano, beco, avenida, cruzamento, monumento. Uma
exposição fotográfica fundamentada na luz e na sombra, na cor e
na sua ausência, nas linhas e curvas, na geometria complexa e no
traçado mais básico. São Paulo é uma instalação, uma obra de arte,
uma surpresa. Se não, vejamos: o que existe na esquina da
Ipiranga com a São João? Uma placa? Não! Uma canção!!!!! E o
que existe, além de casas e ruas, no bairro do Jaçanã? Ora, meus
caros: a alma de Adoniran!
Ah, São Paulo… Cidade que foi a “comoção” da vida de Mário de
Andrade e tem sido a de tantos outros poetas, artistas, pedreiros,
malabaristas, industriários, empresários, comerciantes, operários.
Atores sociais que nutrem um tremendo amor por essa selva que,
para além do cimento e do concreto, é muito mais de silvas e
souzas; cidadãos que, a despeito de habitar um cenário marcado
pela inexistência da estátua do Cristo, estão sempre de braços
abertos para receber… Mesmo sabendo que aqui o resto não é
mar, e sim o asfalto quente queimando o pé da gente a ponto de
fazer com que as pessoas andem sempre apressadas, com cara de
incomodadas, preocupadas. São Paulo é o cheiro de piche, é a
fumaça, é a vista do edifício. São Paulo seria um vício?
Na alma dos apaixonados por São Paulo está tatuada a frase
presente no brasão da cidade. Sentença definidora da estirpe, da
nobreza e da beleza que é, no fundo e na superfície, fruto da força
proveniente da miscigenação pra lá de generalizada que diferencia
o seu povo: “NON DVCOR DVCO”, cuja tradução é: “Não sou
conduzido, conduzo”.
São Paulo é assim: uma Maria Fumaça que tenta trafegar solene
pelas veias que levam ao coração do Brasil. Um percurso que já
dura 457 anos e que, a cada 25 de Janeiro, queima ainda mais
combustível na tentativa de chegar mais longe. São Paulo é mesmo
a tal locomotiva e, só pra agradar a criança que mora em nós, se
esforça para apitar a cada dia com mais vigor.

Ah!!! O meu amor pelos trens! Parabéns, São Paulo!!! E obrigada,
sempre, pela carona!
AUTORIA DE GOIMAR DANTAS


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